Prefeito David Almeida confirma pensão de R$ 35 mil para aliada e ressuscita caso de execução de Armando Freitas

O assassinato brutal do Advogado e Ex-Deputado Armando de Oliveira Freitas, ocorrido em 2018, deixou de ser apenas um arquivo na delegacia de homicídios para se tornar o epicentro de uma nova e explosiva crise política na capital amazonense.

A prisão de sua viúva, a servidora Anabela Cardoso Freitas, em uma operação contra o Comando Vermelho (CV), jogou luz sobre um crime que, até hoje, deixa algumas pontas soltas.

O ex-marido da servidora e amiga de David Almeida, não foi vítima de um assalto que deu errado; ele foi “marcado para morrer”. No dia 4 de maio de 2018, aos 79 anos, o experiente advogado criminalista foi alvejado à queima-roupa na porta de seu escritório, na zona oeste da cidade. Nada foi levado. O assassino desceu do carro, cumpriu o “serviço” e desapareceu, deixando para trás um rastro de mistério que a polícia nunca conseguiu dissipar totalmente.

O caso ganhou um novo e polêmico capítulo com a recente declaração do Prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). Em uma coletiva onde tentava blindar sua assessora, o parlamentar revelou um detalhe financeiro que chocou a opinião pública: Anabela Cardoso Freitas recebe uma pensão mensal superior a R$ 35 mil pela morte do marido.

A revelação levanta questionamentos incômodos: como uma viúva que recebe um valor tão expressivo do estado acaba envolvida em investigações que apontam movimentações milionárias para o crime organizado? O estilo de vida e as conexões da servidora, que David Almeida faz questão de defender “até o fim”, agora se chocam com a imagem do advogado respeitado que teve sua vida ceifada de forma violenta.

Com uma trajetória consolidada na advocacia criminal e passagens pela Assembleia Legislativa e Câmara Municipal nos anos 80, Armando Freitas não era um qualquer. Ele conhecia os bastidores do poder e do crime na capital como poucos. Na época de sua morte, a OAB-AM chegou a oferecer recompensa por informações, tamanha a gravidade do atentado contra ele.

Hoje, com sua viúva atrás das grades e o Prefeito de Manaus admitindo que paga seus advogados, o assassinato do advogado deixa de ser uma tragédia familiar para se tornar uma peça-chave em um quebra-cabeça que envolve facções criminosas, dinheiro público e as altas esferas do poder amazonense.