Givancir é denunciado após greve por salários e sindicalistas veem injustiça contra quem lutou por direitos

O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, Givancir de Oliveira Silva, passou de líder de uma mobilização por melhores salários a alvo de denúncia do Ministério Público Federal (MPF). Em 2018, ele esteve à frente da greve que paralisou o transporte coletivo da capital, reivindicando reajuste salarial e melhores condições de trabalho para motoristas e cobradores.

O movimento, apesar de respaldado pelo direito constitucional de greve, foi tratado pelas empresas de transporte como um ato criminoso. O SINETRAM, que representa os empresários, pediu a prisão do sindicalista, alegando que a paralisação teria sido abusiva por atingir um serviço considerado essencial.

Para o MPF, Givancir teria cometido crimes de paralisação de trabalho de interesse coletivo e desobediência a ordens judiciais, já que decisões da Justiça do Trabalho e do Tribunal de Justiça do Amazonas determinavam a manutenção de parte da frota em operação. Mas para a categoria, ele apenas cumpria seu papel de dar voz a milhares de rodoviários insatisfeitos com baixos salários e condições precárias.

Enquanto exige punição a Givancir, o SINETRAM segue sendo alvo de críticas da população e dos trabalhadores. O sindicato patronal é acusado de ignorar as dificuldades da categoria, resistir a reajustes salariais e pressionar judicialmente para silenciar greves legítimas. Para motoristas e cobradores, a postura do órgão revela o interesse exclusivo em proteger os lucros das empresas, sem preocupação com os trabalhadores ou com os usuários do transporte.

Além disso, especialistas apontam que o SINETRAM tem histórico de adotar uma postura autoritária nas negociações, apostando em medidas judiciais e policiais em vez de buscar acordos. Na prática, a entidade tenta transformar reivindicações salariais em problemas criminais, quando o verdadeiro problema estaria na falta de investimento e respeito aos profissionais que sustentam o transporte coletivo de Manaus.