Amazonas lidera queda de voos no país com 17,5% de redução e deputado cobra providências na Aleam

O interior do Amazonas enfrenta uma ameaça silenciosa: a suspensão progressiva de voos comerciais que conectam municípios isolados à capital. O alerta foi feito pelo deputado estadual João Luiz durante discurso na Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (22), quando o parlamentar denunciou a interrupção de rotas da Azul Linhas Aéreas e cobrou posicionamento da empresa.

Tabatinga, a 1.100 quilômetros de Manaus, já sente os efeitos da medida. Eirunepé e São Gabriel da Cachoeira também estão na lista de cidades que podem perder as conexões aéreas. Para essas regiões, onde estradas praticamente inexistem, o avião não é conforto, é necessidade. A suspensão dos voos impacta diretamente o acesso à saúde, ao comércio, aos serviços públicos e ao deslocamento de centenas de famílias.

João Luiz acionou a Comissão de Transporte da Assembleia para construir um documento institucional que pressione a companhia por esclarecimentos e pela manutenção das rotas. A iniciativa ganha ainda mais peso diante dos números nacionais: a Agência Nacional de Aviação Civil registrou a suspensão de mais de 2 mil voos previstos para maio em todo o Brasil. O motivo central é a alta do querosene de aviação, reflexo do avanço do petróleo no mercado internacional, que torna rotas menos movimentadas financeiramente inviáveis para as empresas.

O Amazonas lidera o ranking de estados mais afetados, com redução de 17,5% no número de voos. O impacto vai além dos passageiros: cargas, medicamentos e insumos essenciais também circulam por essas rotas. Moradores do interior acompanham a situação com preocupação, enquanto a Assembleia se prepara para intensificar a pressão sobre a Azul.